Oportunidade Rio 2016

Meta das pequenas é chegar a R$ 7,8 bilhões em negócios com Rio 2016, atingindo 30% dos recursos totais previstos. Expectativa delas também é boa para Copa do Mundo e pré-sal.
As micro e pequenas empresas brasileiras vão competir com as grandes na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. A meta dos pequenos negócios é chegar a R$ 7,8 bilhões, atingindo a participação de 30% nos R$ 25,9 bilhões previstos só em investimentos públicos. A cifra pode ser ainda mais alta, alcançando R$ 10 bilhões se incluídos na conta os investimentos privados, sem falar em todas as oportunidades criadas pelos eventos, que podem legalizar mais de 1 milhão de microempresas que hoje atuam na informalidade, segundo cálculos do Sebrae Nacional.

“é perfeitamente factível atingir a meta de 30%, porque a microempresa ganha no preço e na qualidade”, defende Bruno Quick, coordenador de políticas públicas do Sebrae Nacional. Ele lembra que a taxa de participação das microempresas em licitações públicas nos Estados Unidos é de 35%. No Brasil, as taxas de participação das pequenas têm crescido desde a regulamentação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, em 2007.

As compras governamentais passaram de 8% em 2007 para 44% este ano, segundo a Secretaria Nacional de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento. Em alguns estados, como Sergipe, ultrapassaram 50% e em Cariacica, no Espírito Santo, foram a mais de 40%. Em Minas, as microempresas vencem 65% das cotações eletrônicas de preços, que englobam compras de pequenos valores (até R$ 80 mil). Nos pregões maiores, as microempresas concorreram em 57% das licitações no estado e venceram em 53% delas. “Elas participam mais das compras de pequeno valor, porque têm menos estoque e capital de giro”, afirma Ana Hirle, diretora da diretoria central de licitações e contratos da Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag-MG).

“Eu sei que vai ter recurso de sobra para todo mundo. é só trabalhar direito e estar com a documentação em dia”, acredita Cláudio de Oliveira Franco, dono da Construtora Mineira. Ele está de olho na Copa do Mundo de 2014, que vem antes da Olimpíada do Rio, onde já estão programados jogos de futebol em Belo Horizonte, uma das escolhidas como subsede do evento. “Vão ser necessárias obras de reforma em banheiros para acessibilidade de deficientes físicos nos estádios, em pousadas, restaurantes”, diz o empresário, que já venceu licitação para fazer reforma semelhante nos banheiros da Câmara Municipal de BH.

O capítulo V da Lei Geral (Lei Complementar 123/06) possibilita maior acesso do segmento às licitações públicas. Ele estabelece, por exemplo, exclusividade em compras de até R$ 80 mil, preferência em caso de empate com outra de maior porte e a subcontratação pelas maiores que vencerem licitações. “O problema do pequeno negócio não é ser pequeno. é trabalhar sozinho. De agora até a Olimpíada, eles terão sete anos para se organizar em consórcios e fechar grandes contratos”, afirma Quick. Aos interessados, ele recomenda procurar já sua associação de classe, marcar reunião com o Sebrae local e traçar um plano de negócios.

Desde a segunda-feira, uma delegação de 22 microempresários de Juiz de Fora, cidade fronteiriça ao Rio de Janeiro, estão na capital carioca para participar do II Encontro Nacional de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas Compras Governamentais (Fomenta 2009) e encontro estadual sobre o mesmo tema. “Minha ideia é fornecer persianas personalizadas, que já podem ser fabricadas com a bandeira do país nas delegações da Olimpíada. é um produto novo que não existe no mercado nacional”, afirma Ronaldo Renault, dono da Persianas Fastlux, há oito anos na praça. Ele considera difícil o acesso aos órgãos públicos. “Aqui é uma oportunidade para mostrar a cara”, completa.

Durante o evento preparatório para os Jogos, está em discussão na pauta como os pequenos negócios poderão aproveitar os grandes investimentos públicos previstos para a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro e a exploração de petróleo na camada do pré-sal. “Se os microempresários começarem a fornecer para o governo desde já, a médio prazo, talvez consiga percorrer todas as etapas exigidas para participar dos grandes contratos na Olimpíada, na Copa, no PAC”, defende Felipe Ansaloni, coordenador dos projetos de compras governamentais do Sebrae Minas, que estava presente ontem no evento carioca. Segundo ele, as microempresas podem entrar nas terceirizações, subempreitadas e nas oportunidades geradas no setor turístico, fornecendo brindes, souvenirs, guias turísticos e artesanatos.

Até a data da largada, há tempo de aperfeiçoar alguns aspectos também do Simples Nacional. Até agora, apenas o Governo Federal e 13 Estados regulamentaram o dispositivo que trata das compras governamentais. Dos 5.563 municípios brasileiros, apenas 848 têm leis gerais municipais, o que representa apenas 15,24% do total de cidades no País. “Acho que as empresas de maior porte é que vão ganhar as grandes obras viárias, de metrô, a construção dos ginásios gigantes. Enquanto elas estiverem ocupadas lá no Rio, vai sobrar espaço para as empresas menores daqui, que não vão poder estar lá. O reflexo é indireto”, diz Manoel Mendes, da Milione Engenharia e Construção, microempresa de BH que participa de licitações de ginásios poliesportivos orçados em até R$ 2 milhões.

fonte: Estado de Minas (zemoleza.com.br)

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